Brasil – Resolução política da Direção Executiva da CTB

Em reunião (virtual) realizada no dia 20 de julho de 2021 a Direção Executiva da CTB Nacional aprovou a seguinte resolução política:

1-            O Brasil está vivendo um grande impasse político e uma situação de extrema polarização;

2-            De um lado, a oposição, as centrais sindicais e os movimentos sociais defendem o impeachment. Do outro, observam-se ameaças recorrentes de golpe e ruptura democrática;

3-            A tensão entre impeachment ou golpe deve continuar dominando o cenário político brasileiro ao longo dos próximos meses;

4-            Como pano de fundo desta realidade temos a tragédia sanitária. Neste momento o Brasil já registra mais de 543 mil óbitos pela covid-19. Todo dia morrem mais de 1 mil pessoas;

5-            Agregue-se a isto a regressão econômica e social. O número de moradores de rua está explodindo. O exército de desempregados soma mais de 21 milhões. A quebradeira de micro e pequenas empresas é generalizada. Há um empobrecimento geral e o Brasil retornou ao Mapa da Fome;

6-            Engessada por uma política econômica desastrosa, a economia nacional não sai do atoleiro, evoluindo da recessão para a estagnação;

7-            Este cenário crítico está inserido numa conjuntura mundial igualmente tensa e marcada pelo acirramento do conflito geopolítico entre EUA e China, que envolve não apenas essas duas grandes potências mas o conjunto do globo;

8-            Cabe ressaltar a crescente agressividade dos EUA em todo o mundo para recompor e ampliar sua hegemonia. Na América Latina estiveram por trás dos golpes de Estado verificados em Honduras (2009), Paraguai (2012), Brasil (2016) e Bolívia (2019). Agora perseguem a desestabilização e derrocada dos governos de Cuba e Venezuela, vítimas hoje de uma guerra não convencional movida por Washington;

9-            A CTB repudia e denuncia as agressões imperialistas contra os povos, exige o respeito ao sagrado direito das nações à autodeterminação e reitera sua ativa solidariedade com Cuba e Venezuela;

10-         No Peru, a oficialização da vitória do professor e sindicalista Pedro Castillo, que derrotou a direitista Keiko Fujimori no pleito presidencial, é mais um indicador de que novos ventos políticos estão soprando em nossa região refletindo a rejeição popular às políticas neoliberais;

11-         Também no Brasil a luta de resistência ao retrocesso tem avançado. A campanha nacional Fora Bolsonaro, da qual a CTB e as outras centrais sindicais fazem parte, realizou três grandes manifestações e convocou um novo ato para 24 de julho. A militância da nossa Central precisa redobrar os esforços para garantir o sucesso da mobilização e deve comparecer em massa aos protestos, que estão sendo ampliados com a adesão de novas forças sociais e municípios;

12-         As 11 centrais sindicais brasileiras defendem o Fora Bolsonaro, o que traduz uma unidade política de oposição ao governo muito relevante. As pesquisas atestam que a rejeição do povo brasileiro ao líder da extrema direita é crescente;

13-         A oposição adquiriu musculatura e maior protagonismo, mas não reuniu força suficiente para concretizar a palavra de ordem Fora Bolsonaro. Embora fragilizado e acuado pelas denúncias de corrupção, o presidente ainda conta com o respaldo parlamentar do Centrão, tem força no Congresso Nacional para impedir o impeachment e cogita adotar medidas sociais para reverter a rejeição popular;

14-         A grande incógnita na arena política é se Bolsonaro chega ou não ao fim do mandato, mas não é possível antecipar o desfecho da batalha em curso;

15-         Em meio à tragédia sanitária, econômica, social e política, o governo e as forças conservadoras procuram acelerar o projeto de restauração neoliberal inaugurado pelo golpe de 2016. O pacote de maldades contra a classe trabalhadora é infindável. Cogita-se até acabar com o abono salarial, os vales refeição e alimentação, bem como saquear e esvaziar o FGTS. O entreguismo avança com os projetos de privatização da Eletrobras, Correios e saneamento;

16-         A luta em defesa das empresas públicas e contra as privatizações deve ser priorizada. É também estratégica a campanha nacional contra a PEC 32, que abre caminho para o desmanche do Estado nacional e dos serviços públicos, a abolição dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e o total aparelhamento político do setor público;

17-         A CTB reitera a necessidade de construção de uma ampla frente política e social para destituir Bolsonaro, superando o impasse político em que o país está mergulhado.

 

Share on Google+Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on RedditShare on LinkedInShare on TumblrEmail this to someonePrint this page